domingo, 6 de março de 2011

Aviso Prévio

Dia primeiro de março recebi o temido de muita gente: aviso prévio. Das três escolas em que trabalho, da mais antiga tive meus serviços dispensados. E dizia isso mesmo: não precisamos mais de seus serviços.
Na verdade, eu já esperava por isso, pois quando a gente topa demais com a chefia, quando não aceita certos abusos de autoridade, quando a gente expressa o que crê ser o correto e, principalmente, quando a gente tem argumentos mostrando que o outro está errado, aceitamos o risco de sermos dispensados. Faz parte.
O que fiz? Peguei minhas coisas, me despedi dos colegas queridos, deixei-os tranquilos quanto ao que eu estava sentindo e fui para casa com cem quilos a menos nos ombros.
Desde esse dia, estou adorando chegar em casa mais cedo, bem mais cedo, pois nessa escola eu trabalhava à noite. Estou adorando saber que não preciso correr de um lugar para outro, posso terminar meu trabalho da tarde, arrumar meus materiais com calma, conversar com as colegas, e ir, a passo lento, até o estacionamento pegar meu carro, ligar o som e seguir na maior tranquilidade para casa, para o mercado, para onde eu quiser ir.
Claro, o dinheiro era bem vindo, mas não passarei fome, bem pelo contrário, já labutei muito para, hoje, eu ter mais tranquilidade financeira. Terei mais tempo para mim, para me organizar, para descansar, para ler o que gosto, para ver a família, para ouvir música, para escrever (coisa que amo). E não, não buscarei outro emprego. Estou contente da vida com o que tenho agora. Estou feliz com a experiência de continuar com minhas 25 turmas de crianças e adolescentes, além do maravilhoso ensino médio que me delicia em três manhãs da semana.
Não há nada melhor na vida do que isso: sua primeira demissão ser tão agradavelmente sentida como uma necessária mudança. Hora de erguer os olhos para outros horizontes, de seguir por outros caminhos, de fazer outras escolhas, de se permitir viver outras aventuras.
Saudades? Dos colegas queridos, das amizades caras, dos alunos e alunas que até hoje me deixam recados tão carinhosos. Minha história é inapagável, e durante 6 anos ela se fez entre muitas conquistas e novidades nessa escola. Mas ela não foi única, outras já foram, outras estão aí e outras virão. Vai se saber o futuro.
O que me importa, nesse momento, é estar saboreando o fato de experimentar, após tanto tempo estudando e trabalhando à noite (12 anos no total), o que é chegar em casa e poder curtir um chimarrão na rede, ao som do vento batendo nos galhos das árvores, regar as plantas sentindo o perfume da hortelã e do jasmim.
Não digo que nunca mais voltarei a trabalhar no período noturno, mas, por enquanto, quero mesmo é me deliciar com essa liberdade que eu havia esquecido que existia. E, como bem canta Ceumar, eu quero mesmo é me reinventar. Não ser uma página em branco, mas ter muito espaço para novas histórias.

Reinvento
Estrela Ruiz e Ceumar

Não querer ser sempre
para pra sempre ser
isso eu aprendi com o vento
saudade eu tenho de tudo

o que a gente vai viver
mas ainda não teve tempo

tudo o que é leve
o vento leva
eu quero aprender um jeito de reinventar
certeza ou tristeza
de qualquer jeito
o vento vai levar na brisa do mar
no sopro da vela ao se apagar

2 comentários:

Jô Amaral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jô Amaral disse...

Oi Sôra, nunca vi uma pessoa expressar tão bem o alívio que sentimos ao ficarmos desempregada. Já senti esta sensação qdo sai de uma empresa que não dava a mínima p mim como funcionária, tinha muito feedback, mas os resultados eram sempre os mesmos, então para q servia o "fidibequi"?? sei lá, acho que era p dizer que tinham rsrsrsr



Bjs sôra e adoro seus textos sei que nem sempre posso comentar mas gosto muito de ler.