terça-feira, 21 de outubro de 2008

Realizando

Tem coisas na vida que a gente parece querer mais do que qualquer outra coisa. Pode ser saúde, trabalho, amor, família unida, estabilidade. Desconsiderando a estabilidade (emocional claro, quem me conhece que o diga), o resto tenho a felicidade de já possuir.
Tenho saúde, interrompida vez e outra por um resfriadinho à toa; meu trabalho é minha paixão, que como toda paixão, às vezes, cansa; amor tenho de sobra, de marido, amigos, colegas, família. A família, aliás, é super unida, tão fiel quanto a máfia siciliana, meu pai, inclusive faz as vezes de poderoso chefão.
Então, o que eu queria mesmo, num desejo doentio, era comprar um notebook. Ah, mas só isso, podem pensar alguns. Pois é, só isso. Mas esse “isso” significa mais coisas do que simplesmente adquirir. Significa liberdade e condições, poder de compra, de ser no mundo capitalizado e consumista. Nome limpo e suaves prestações. Além de me dar um prazer enorme ficar aqui escrevendo meus textos confortavelmente instalada.
Até porque, me superei. Consegui planejar essa compra por oito meses. Em outros tempos eu teria sido compulsiva. E teria, como em outros tempos, me dado muito mal.
Nos dias de hoje, com o apelo do compre já, pague daqui a não sei quantos meses, entrando em nossas mentes todos os dias, mesmo que não queiramos, o pensar sobre a necessidade do consumo tornou-se condição de sobrevivência.
Avaliar os custos, os prazos, as vantagens e desvantagens, o querer sobre o poder ter, nos ajudam a não arcar com compromissos dos quais possamos nos arrepender.
Muito já deixei de fazer ou consumir por conta das desvantagens futuras e, inclusive, por saber que seria privada de outras realizações.
Planejar nunca será demais, nunca será obsoleto, nunca deixará de ser importante. Planejar nos ajuda a organizar a vida, a nos dar outras oportunidades, a nos construir nesse mundo onde tudo é veloz e impulsivo.
Acabo de sucumbir à vontade de ter meu próprio notebook e posso aproveitá-lo muito bem, pois estou tranqüila quanto às condições dessa extravagância. Mas não abro mão de meus impulsos saudáveis, como terminar logo esse texto e ligar para meu marido, para dizer que o amo e que a saudade já me corrói o coração, mesmo que ele tenha saído a pouco mais de vinte minutos.
E depois tomar um banho de chuva, e depois... mas aí já estarei planejando demais. E a vida, no que realmente importa, não deve ser planejada, mas vivida. E como canta Lenine, “a vida não pára... a vida é tão rara” não dá pra perder tempo planejando viver.

3 comentários:

jane disse...

Como diria o Legião Urbana, "Que país é esse"?
Realmente um notebook não é um bem de consumo baratinho que vai ali na loja e vem com ele prá casa, por outro lado na Austrália, Nova Zelândia e outros países desenvolvidos as crianças vão com esse equipamento para a escola, faz parte da sua aprendizagem, é que nem caderno, lápis...
Por que para nós (brasileiros) as coisas são tão mais complicadas? Será que um dia chegaremos aos patamares desses países?
Um abraço...

Anônimo disse...

Ane querida,
Saudades...
Tenho lido sempre teus textos... embora possas até pensar que não... ehehehe
Fico perplexa lendo as tuas "histórias", a riqueza de detalhes, de cotidiano, de realidades...
Humm fico aqui me deliciando, pensando... Que prazer trabalhar contigo tbm...
beijo grande e...
não esqueças de publicar teus escritos e, sem dúvida, me convidar para os autógrafos...
besos,
Isabelita

Anônimo disse...

Que bom saber que você comprou seu notebook fico muito feliz! Não vamos mais depender daqueles computadores jurássicos do.....hihihihihi
Mas tenho que dizer que Deus me deu um presente melhor que um notebook! Você tem
um dos maiores dons que uma pessoa
pode possuir ou compartilhar
é ser capaz de passar pelos espinhos e
encontrar a rosa dentro de outras pessoas.
Esta é a característica do amor...
Olhar uma pessoa e aceitá-la em sua vida,
enquanto reconhece a beleza de sua alma.
E ajudá-la a perceber que pode superar
suas aparentes imperfeições.
Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa,
Elas superará seus próprios espinhos.
Só assim elas poderão desabrochar
muitas e muitas vezes...
E foi isso que você minha prof. Querida fez comigo posso agradecer todos os dia mas nunca vai ser o suficiente...Amo muito você.Bjs
Atenciosamente,
Suzan Borba