terça-feira, 30 de setembro de 2008

Era uma vez um mestrado...

Já faz um tempo que venho tentando entrar no mestrado. Esse tem sido meu sonho desde antes de me formar na faculdade. Desde então, incansavelmente, tenho participado dos processos seletivos e não conseguido entrar, para a tristeza de minha família e amigos que me vêem despencar do alto de meus sonhos a cada rejeição.
Não, não sou ruim. Sei que sei muito (o que pode parecer pedante). Ano passado fiquei entre os cinco finalistas, para (que absurdo!) cinco vagas. Mas na entrevista me deixaram bem claro que eu não poderia fazer parte do seleto grupo de CDFs porque minha formação não era a mesma deles. Preferiram três a cinco. Três homens e formandos daquela instituição.
Para esse ano, nada de mestrado. Vou prestar a prova de proficiência internacional em língua espanhola (DELE), para a qual preciso estudar bastante. Já estou pesquisando a respeito de outra pós-graduação para fazer no ano que vem. E tenho meu trabalho que amo, venero e que me mantém segura a respeito de quem sou e o que sou.
Tenho amigas que vão embarcar em uma seleção para mestrado esse ano. De coração: sucesso. Que tentem, que consigam e sejam felizes. Mas eu, nesse momento, prefiro outras realizações. Prefiro ler um livro sem a exigência de elaborar um ensaio. Estudar o que gosto e o que preciso para melhorar minha prática profissional. Ter tempo para visitar os amigos, dar um abraço em meus pais, ver crescer os meus sobrinhos. Preciso viver, cheirar as flores que brotam no meu jardim, me deitar na rede em minha varanda, escutar mais música (música, não o que andam tocando por aí), preciso respirar, ter tempo de prestar atenção nas cores do céu ao pôr-do-sol, caminhar pelas ruas do meu bairro observando suas gentes.
Enfim, preciso viver. E, nesse momento, viver não combina com o sacrifício de passar por um processo de seleção para o qual eu sei que tenho condições de sucesso, mas que além de conhecimento exige “contatos”.
Ainda quero estudar, sei que não vou sossegar sem fazer meu mestrado, mas vou deixar para quando o sol estiver menos quente, as nuvens estiverem cinzas e as pessoas tristes. Aí valerá a pena deixar meus dias dentro de uma sala fechada, sobre livros de pesquisa.

3 comentários:

cheila disse...

Adorei o texto e concordo, deixa pra estudar, quando os dias ficarem mais tristes...
bjãoo

Pri Tescaro disse...

Oi.... muito legal esse espaço. E também vivo nesse dilema sobre viver ou retornar à academia. Ainda não passei por essa fase que você já viveu. Espero resolver essa dúvida interna o mais breve, para poder me dedicar de corpo e alma àquilo que decidir.

Jane disse...

Oi, andei bisbilhotando teu blog de novo. Sabe acho essa coisa de estudo tão complicada, tem uma cobrança, nem sei se da sociedade, mas nossa mesmo, "tem que estudar", "tem que estudar", que saco, acho que tem é que ser feliz isso sim. Há um tempo atrás eu acreditava muito na educação, e já madura e com três filhos, fui fazer Pedagogia à noite, deixando meus filhotes sózinhos em casa, no quarto semestre por motivos financeiros tive que desistir, agora ano passado resolvi voltar, recomeçar do zero, só que lá pelas tantas consegui me dar conta que eu estava querendo provar para mim mesma que eu podia fazer um curso superior, que eu tinha capacidade e quando me dei conta que na real eu estava me sabotando, pois não tinha mais as mesmas crenças e os mesmos sonhos de seis anos atrás, não tive dúvidas, desisti e assumi, não quero fazer faculdade coisa nenhuma o que eu gosto mesmo é de cozinhar e estou montando a minha confeitaria que sempre foi um sonho deixado para trás, se tiver que estudar agora, serão cursos nessa área, faculdade nem pensar!!!
Ah e essa postura vale para meus filhos, quero que sejam felizes, se quiserem fazer faculdade, mestrado, doutorado, ótimo, darei toda força. Agora se quiserem ser artistas, esportistas, chefs(tomara), contem comigo também... a vida é muito curta e temos que descomplicá-la, acho que esse é o segredo para termos a alma leve. Um abraço.